Antecendente a alguma mudança sempre há um período de observação, de incubação, de gestação e assim não foi diferente, até as dúvidas percorrerem todos meus espaços, uma inquietação, até do grande caos interior surgir a realização.
O que vinha percebendo já há algum tempo eram os rumos com os quais a 'arte da dança' de maneira bem generalizada vem tomando. Rumos desatrosos se levados a um ângulo mais sério ou pelo lado mais amplo e otimista simplesmente evolução.
A observação de uma dança que já não mais se define. Poderia citar inúmeras razões... Uma dança urbana que revela elementos contemporâneos. Uma determinada coreografia de 'jazz dance' quando o que se vê são passos ritmados sim, mas que pouco lembram as origens da técnica. Enfim sejamos francos, estamos cada vez mais imbuídos em nossas entranhas por muitas informações, é inquestionável que estamos nos modificando enquanto professores, bailarinos, coreógrafos, que estamos nos deixando levar por esta fusão de movimentos e linhas, pois estamos 'ligados' em um momento histórico onde o excesso de informações pode trabalhar a nosso favor se soubermos estar abertos a isso.
...
Um fator determinante a esta minha 're-evolução' é o fato de minha filha de cinco anos de idade voltar-se para mim em meio a um exercício na barra em sua aula de ballet e dizer: "Mãe, chega, eu quero dançar solta". Ora solta; ela quer ser livre, assim como eu fui. As mais remotas lembranças de minha vida são ligadas a movimentos e música, dançava em casa, fazia apresentações sem saber que aquilo eram coreografias, dançava com a alma. Iniciei 'tarde' na dança acadêmica, próxima dos oito anos procurei uma escola de dança. Tarde visto que hoje as salas de aulas de baby-class estão cheias de bailarinas aos três anos de idade.
...
Da observação analítica até a profunda pesquisa, por onde passei a buscar - na Biodança, na Dança Contemporânea e em suas mais variadas linhas e conceitos, no Contato Improvisação, em métodos e técnicas como: Pilates, Alexander e Feldenkrais, na antropologia cultural da dança primitiva, seus rituais e celebrações, no re-estudo da Psicomotricidade, dos estágio do desenvolvimento motor da criança e na próprio memória do meu corpo - respostas para as idagações da minha mente.
Com a necessidade sempre atual de se 'criar' rótulos e 'tentar' explicar tudo que acontece surge o nome, o conceito, NEODANÇA que pura e simplesmente é uma manifestação da evolução da dança atual livre de paradigmas e estigmas.
Partindo de que, a respiração é o primeiro dos movimentos até aos mais refinados passos do ballet clássico, da dança contemporânea e dança teatro, do jazz, das danças urbanas, dos esportes, uma fusão resulta no 'imprevisto'. Num primeiro momento os bailarinos fazem um estudo do corpo-espaço como um exercício de ampliação de sua prórpia identidade na composição do que será apresentado sem que existam coreografias determinadas, os movimentos são baseados pelo repertório motor de cada bailarino e sua linha de movimentos. Ressaltando que o resultado não deve ser apenas um trabalho de improvisação, mas um constante exercício de auto-conhecimento onde cada ação é composta por: pensamento, sentimento, sensação, movimento. Sendo que o grau de participação de cada um destes elementos varia dependendo do momento e de quem os executa.
A NEODANÇA pode surgir como um método de pesquisa do movimento espontâneo para estruturação de futuras coreografias sem a 'assinatura' do repertório motor de um só coreógrafo. É a liberdade de expressão para o bailarino-maduro-seguro ou para criança que livre dos conceitos estabelecidos sobre a dança usa o movimento com a intenção de expressar simplesmente nada. Porque nem tudo, seja na vida ou na dança, precisa ter sentido, não precisa ser entendido, pode ser apenas observado, pode ser apenas admirado, pode... por fim, desencadear reações inesperadas.
Um segundo, e não menos importante princípio da NEODANÇA é o de apresentar performances que venham ocupar espaços abertos e alternativos, dissolvendo a barreira imaginária entre palco e público. Não existe público e bailarinos, existem pessoas e seus movimentos... O não-público também é possível. Levar a dança até aqueles que não a apreciam ou não fazem parte de seu cotidiano, ao ponto de que ao observar as demais pessoas e suas reações o bailarino passa a relacionar-se ou não com elas.
Não existem regras, existe arte em movimento em qualquer lugar. Não há a intenção de criar um vocabulário, nem tão pouco a de agradar a todos, visto que isto é uma opinião pessoal. Mesmo porque, enquanto educadora, professora e proprietária de uma escola de dança, mantenho as turmas e modalidades de dança seguindo suas técnicas e métodos específicos, porém, enquanto pesquisadora, estimulo a NEODANÇA como um processo-identidade que vem acontecendo dentro do meu trabalho e que pode, em um futuro próximo ampliar os horizontes de nosso ofício trazendo para vida, uma dança livre de 'amarras'.
por Aline Bucco em 02/06/2012
- Aline Bucco
- Cruz Alta, RS, Brazil
- Lugar das coisas que dançam na minha cabeça (e no meu coração)
domingo, 3 de junho de 2012
NEODANÇA
Depois de um tempo de OPC (ócio pré-criativo) um resultado surpeendente de anos 'latente' em meu ser. Você ainda vai ouvir falar nisso!
E pode procurar no Google, não vai encontrar nada lá.
Pode procurar aqui dentro da minha cabeça...os que dividem suas vidas com a minha vida, bem-vindos a minha dança!
Antecendente a alguma mudança sempre há um período de observação, de incubação, de gestação e assim não foi diferente, até as dúvidas percorrerem todos meus espaços, uma inquietação, até do grande caos interior surgir a realização.
O que vinha percebendo já há algum tempo eram os rumos com os quais a 'arte da dança' de maneira bem generalizada vem tomando. Rumos desatrosos se levados a um ângulo mais sério ou pelo lado mais amplo e otimista simplesmente evolução.
A observação de uma dança que já não mais se define. Poderia citar inúmeras razões... Uma dança urbana que revela elementos contemporâneos. Uma determinada coreografia de 'jazz dance' quando o que se vê são passos ritmados sim, mas que pouco lembram as origens da técnica. Enfim sejamos francos, estamos cada vez mais imbuídos em nossas entranhas por muitas informações, é inquestionável que estamos nos modificando enquanto professores, bailarinos, coreógrafos, que estamos nos deixando levar por esta fusão de movimentos e linhas, pois estamos 'ligados' em um momento histórico onde o excesso de informações pode trabalhar a nosso favor se soubermos estar abertos a isso.
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Um fator determinante a esta minha 're-evolução' é o fato de minha filha de cinco anos de idade voltar-se para mim em meio a um exercício na barra em sua aula de ballet e dizer: "Mãe, chega, eu quero dançar solta". Ora solta; ela quer ser livre, assim como eu fui. As mais remotas lembranças de minha vida são ligadas a movimentos e música, dançava em casa, fazia apresentações sem saber que aquilo eram coreografias, dançava com a alma. Iniciei 'tarde' na dança acadêmica, próxima dos oito anos procurei uma escola de dança. Tarde visto que hoje as salas de aulas de baby-class estão cheias de bailarinas aos três anos de idade.
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Da observação analítica até a profunda pesquisa, por onde passei a buscar - na Biodança, na Dança Contemporânea e em suas mais variadas linhas e conceitos, no Contato Improvisação, em métodos e técnicas como: Pilates, Alexander e Feldenkrais, na antropologia cultural da dança primitiva, seus rituais e celebrações, no re-estudo da Psicomotricidade, dos estágio do desenvolvimento motor da criança e na próprio memória do meu corpo - respostas para as idagações da minha mente.
Com a necessidade sempre atual de se 'criar' rótulos e 'tentar' explicar tudo que acontece surge o nome, o conceito, NEODANÇA que pura e simplesmente é uma manifestação da evolução da dança atual livre de paradigmas e estigmas.
Partindo de que, a respiração é o primeiro dos movimentos até aos mais refinados passos do ballet clássico, da dança contemporânea e dança teatro, do jazz, das danças urbanas, dos esportes, uma fusão resulta no 'imprevisto'. Num primeiro momento os bailarinos fazem um estudo do corpo-espaço como um exercício de ampliação de sua prórpia identidade na composição do que será apresentado sem que existam coreografias determinadas, os movimentos são baseados pelo repertório motor de cada bailarino e sua linha de movimentos. Ressaltando que o resultado não deve ser apenas um trabalho de improvisação, mas um constante exercício de auto-conhecimento onde cada ação é composta por: pensamento, sentimento, sensação, movimento. Sendo que o grau de participação de cada um destes elementos varia dependendo do momento e de quem os executa.
A NEODANÇA pode surgir como um método de pesquisa do movimento espontâneo para estruturação de futuras coreografias sem a 'assinatura' do repertório motor de um só coreógrafo. É a liberdade de expressão para o bailarino-maduro-seguro ou para criança que livre dos conceitos estabelecidos sobre a dança usa o movimento com a intenção de expressar simplesmente nada. Porque nem tudo, seja na vida ou na dança, precisa ter sentido, não precisa ser entendido, pode ser apenas observado, pode ser apenas admirado, pode... por fim, desencadear reações inesperadas.
Um segundo, e não menos importante princípio da NEODANÇA é o de apresentar performances que venham ocupar espaços abertos e alternativos, dissolvendo a barreira imaginária entre palco e público. Não existe público e bailarinos, existem pessoas e seus movimentos... O não-público também é possível. Levar a dança até aqueles que não a apreciam ou não fazem parte de seu cotidiano, ao ponto de que ao observar as demais pessoas e suas reações o bailarino passa a relacionar-se ou não com elas.
Não existem regras, existe arte em movimento em qualquer lugar. Não há a intenção de criar um vocabulário, nem tão pouco a de agradar a todos, visto que isto é uma opinião pessoal. Mesmo porque, enquanto educadora, professora e proprietária de uma escola de dança, mantenho as turmas e modalidades de dança seguindo suas técnicas e métodos específicos, porém, enquanto pesquisadora, estimulo a NEODANÇA como um processo-identidade que vem acontecendo dentro do meu trabalho e que pode, em um futuro próximo ampliar os horizontes de nosso ofício trazendo para vida, uma dança livre de 'amarras'.
por Aline Bucco em 02/06/2012
Antecendente a alguma mudança sempre há um período de observação, de incubação, de gestação e assim não foi diferente, até as dúvidas percorrerem todos meus espaços, uma inquietação, até do grande caos interior surgir a realização.
O que vinha percebendo já há algum tempo eram os rumos com os quais a 'arte da dança' de maneira bem generalizada vem tomando. Rumos desatrosos se levados a um ângulo mais sério ou pelo lado mais amplo e otimista simplesmente evolução.
A observação de uma dança que já não mais se define. Poderia citar inúmeras razões... Uma dança urbana que revela elementos contemporâneos. Uma determinada coreografia de 'jazz dance' quando o que se vê são passos ritmados sim, mas que pouco lembram as origens da técnica. Enfim sejamos francos, estamos cada vez mais imbuídos em nossas entranhas por muitas informações, é inquestionável que estamos nos modificando enquanto professores, bailarinos, coreógrafos, que estamos nos deixando levar por esta fusão de movimentos e linhas, pois estamos 'ligados' em um momento histórico onde o excesso de informações pode trabalhar a nosso favor se soubermos estar abertos a isso.
...
Um fator determinante a esta minha 're-evolução' é o fato de minha filha de cinco anos de idade voltar-se para mim em meio a um exercício na barra em sua aula de ballet e dizer: "Mãe, chega, eu quero dançar solta". Ora solta; ela quer ser livre, assim como eu fui. As mais remotas lembranças de minha vida são ligadas a movimentos e música, dançava em casa, fazia apresentações sem saber que aquilo eram coreografias, dançava com a alma. Iniciei 'tarde' na dança acadêmica, próxima dos oito anos procurei uma escola de dança. Tarde visto que hoje as salas de aulas de baby-class estão cheias de bailarinas aos três anos de idade.
...
Da observação analítica até a profunda pesquisa, por onde passei a buscar - na Biodança, na Dança Contemporânea e em suas mais variadas linhas e conceitos, no Contato Improvisação, em métodos e técnicas como: Pilates, Alexander e Feldenkrais, na antropologia cultural da dança primitiva, seus rituais e celebrações, no re-estudo da Psicomotricidade, dos estágio do desenvolvimento motor da criança e na próprio memória do meu corpo - respostas para as idagações da minha mente.
Com a necessidade sempre atual de se 'criar' rótulos e 'tentar' explicar tudo que acontece surge o nome, o conceito, NEODANÇA que pura e simplesmente é uma manifestação da evolução da dança atual livre de paradigmas e estigmas.
Partindo de que, a respiração é o primeiro dos movimentos até aos mais refinados passos do ballet clássico, da dança contemporânea e dança teatro, do jazz, das danças urbanas, dos esportes, uma fusão resulta no 'imprevisto'. Num primeiro momento os bailarinos fazem um estudo do corpo-espaço como um exercício de ampliação de sua prórpia identidade na composição do que será apresentado sem que existam coreografias determinadas, os movimentos são baseados pelo repertório motor de cada bailarino e sua linha de movimentos. Ressaltando que o resultado não deve ser apenas um trabalho de improvisação, mas um constante exercício de auto-conhecimento onde cada ação é composta por: pensamento, sentimento, sensação, movimento. Sendo que o grau de participação de cada um destes elementos varia dependendo do momento e de quem os executa.
A NEODANÇA pode surgir como um método de pesquisa do movimento espontâneo para estruturação de futuras coreografias sem a 'assinatura' do repertório motor de um só coreógrafo. É a liberdade de expressão para o bailarino-maduro-seguro ou para criança que livre dos conceitos estabelecidos sobre a dança usa o movimento com a intenção de expressar simplesmente nada. Porque nem tudo, seja na vida ou na dança, precisa ter sentido, não precisa ser entendido, pode ser apenas observado, pode ser apenas admirado, pode... por fim, desencadear reações inesperadas.
Um segundo, e não menos importante princípio da NEODANÇA é o de apresentar performances que venham ocupar espaços abertos e alternativos, dissolvendo a barreira imaginária entre palco e público. Não existe público e bailarinos, existem pessoas e seus movimentos... O não-público também é possível. Levar a dança até aqueles que não a apreciam ou não fazem parte de seu cotidiano, ao ponto de que ao observar as demais pessoas e suas reações o bailarino passa a relacionar-se ou não com elas.
Não existem regras, existe arte em movimento em qualquer lugar. Não há a intenção de criar um vocabulário, nem tão pouco a de agradar a todos, visto que isto é uma opinião pessoal. Mesmo porque, enquanto educadora, professora e proprietária de uma escola de dança, mantenho as turmas e modalidades de dança seguindo suas técnicas e métodos específicos, porém, enquanto pesquisadora, estimulo a NEODANÇA como um processo-identidade que vem acontecendo dentro do meu trabalho e que pode, em um futuro próximo ampliar os horizontes de nosso ofício trazendo para vida, uma dança livre de 'amarras'.
por Aline Bucco em 02/06/2012